
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
domingo, 23 de agosto de 2009
domingo, 16 de agosto de 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
E Tudo Era Possível

Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido
Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido
E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não sei dizer
Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia a vizinhança
e tudo era possível era só querer
Ruy Belo em Homem de Palavra(s)
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Humphrey Bogart
terça-feira, 19 de maio de 2009
Feira Desmanchada

Num frouxo de riso, desmonto o barraco;
vida é outra loiça, que não este caco.
Rio como pode rir um português
ao ouvir, ocioso:- Será para outra vez...
_ Aqui há talento!Dizem.me os védores.
Seja para alívio das nossas dores!
Mas que remédio senão ser talentoso
quando tudo anda tão nervoso
e não há licença de porte dessa arma
que é a palavra não desfigurada!
Talento manejado a meu talante,
sê modesto, já que és, afinal, o circunstante,
e eu, o teu dono, se tiveres lazer,
sem disparos verbais andava era aos pardais,
por esses trigais e milheirais
que lhes dão de comer...
Alexandre O'Neill em Feira Cabisbaixa
terça-feira, 5 de maio de 2009
Inverno e Verão
terça-feira, 21 de abril de 2009
Os Livros

...A palavra escrita ensinou-me a escutar a voz humana, assim como as grandes atitudes imóveis das estátuas me ensinaram a apreciar os gestos. Em contrapartida, e posteriormente, a vida fez-me compreender os livros.
Mas estes mentem, ainda os mais sinceros. Os menos hábeis, por falta de palavras e de frases onde possam abrangê-la, traçam da vida uma imagem trivial e pobre; alguns, como Lucano, tornam-na mais pesada e obstruída com uma solenidade que ela não tem. Outros, pelo contrário, como Petrónio, aligeiram-na, fazem dela uma bola saltitante e vazia, fácil de receber e de atirar num universo sem peso.
Os poetas transportam-nos a um mundo mais vasto ou mais belo, mais ardente ou mais doce que este que nos é dado, por isso mesmo diferente e praticamente quase inabitável.
Os filósofos para poderem estudar a realidade pura, submetem-na quase às mesmas transformações a que o fogo ou o pilão submetem os corpos: coisa alguma de um ser ou de um facto, tal como nós o conhecemos, parece subsistir nesses cristais ou nessas cinzas. Os historiadores apresentam-nos, do passado, sistemas excessivamente completos, séries de causas e efeitos exactos e claros demais para terem sido alguma vez inteiramente verdadeiros;dispõem de novo esta dócil matéria morta, e eu sei que Alexandre escapará sempre mesmo a Plutarco. Os narradores, os autores de fábulas milésias, não fazem mais, como os carniceiros, que pendurar no açougue pequenos bocados de carne apreciados pelas moscas. Adaptar-me-ia muito mal a um mundo sem livros; mas a realidade não está lá, porque eles a não contêm inteira.
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Marguerite Yourcenar em Memórias de Adriano
quinta-feira, 2 de abril de 2009
O Segredo

...querem que lhes diga qual o segredo do mundo inteiro?
É que lhe conhecemos apenas as costas,vemos tudo por trás e parece-nos brutal. Aquilo não é uma árvore, aquilo não é uma nuvem, mas sim as costas de uma nuvem. Não vêem que tudo se curva e esconde a cara? Se nós pudéssemos ver de frente...
G.K.Chesterton em O Homem que era Quinta-Feira
sábado, 21 de março de 2009
21 de Março, Dia Mundial da Poesia
Duarte Belo(...)
Ver-te é como ter à minha frente todo o tempo
é tudo serem para mim estradas largas
estradas onde passa o sol poente
é o tempo parar e eu próprio duvidar mas sem pensar
se o tempo existe se existiu alguma vez
e nem mesmo meço a devastação do meu passado
(...)
Ruy Belo em A Margem da Alegria citado em Coisas de Silêncio
quinta-feira, 12 de março de 2009
CDC/DCD
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Exercício

Nos dias em que o vento anima a roupa
suspensa desta ou daquela janela
o meu olhar perdido não a poupa
e vai seguindo os movimentos dela
Aqui estou tristezas alegrias
Nesta colina do instante canto
esta vida indecisa de maresias
ó vida ameaçada enquanto
a minha grande esperança é o café
Agora que o tomei
com pressa e frenesim até
o que vai ser a vida ainda não sei
Mosteiro dos Jerónimos fachada
impassível ao vão vaivém humano
aqui ando eu perdido de ano em ano
ó vida noves fora nada
Nos dúbios dias da destruição do verão
quando tudo parece ir acabar
regresso então à versificação
e encontro nos papéis o meu segundo mar
Ruy Belo em Homem de Palavra(s)
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Orgulho

O orgulho mantém-se sempre e não perde nada de si mesmo quendo renuncia à vaidade.
Se não fossemos orgulhosos, não nos queixávamos do orgulho do outros.
O orgulho é igual em todos nós e a única diferença reside no modo e nos meios que utilizamos para o pôr em prática.
Até parce que a natureza, que foi tão hábil em dispor os nossos orgãos no nosso corpo, para nos tornar mais felizes, deu-nos também o orgulho para nos poupar a dor de enfrentar as nossas imperfeições.
O orgulho desempenha um papel mais importante do que a bondade nas observações que fazemos àqueles que cometem erros. Nós não os repreendemos para os corrigir,mas, sobretudo, para lhes mostrar que nós não cometemos esses erros.
François de La Rochefoucauld em Máximas e Reflexões Morais
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Domingo Triste

Lucas 21,28
Quando o último pássaro morrer
na última oliveira a ocidente
opõe o peito ao que acontecer
e levanta a cabeça dignamente
Despede-te da terra onde nascer
tu nascias enfim continuamente
repara no nascente e no poente
que muito em breve deixarás de ver
Não valem cinco pássaros apenas
dois asses e Deus não os reconhece
no meio das demais coisas terrenas?
Levanta-te. Coragem coração
O Espiríto nas coisas comparece
Aproxima-se a libertação
Ruy Belo em Homem de Palavra(s)
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Aos Homens do Cais
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